quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Um lado do retrato



Sou morena e gordinha, mas não como qualquer brasileira, como me parece qualquer uma, e também não sou do Oriente, mesmo amando esse lado, entretanto sou meio asiática na minha morenez, sou meio índia, sou mais Lispector, qualquer espécie. Meu pequeno ser foi gerado ainda sem dono, no abandono, gasto nos invernos tentando caminhar a busca de um porto que fosse capaz de me afagar; tivesse nascido sem rumo como as rendas escarlates dos lugares indesejados pela luz e pureza; tivesse menos doença nesse coração delicado, cheio de saudade, provocado pelos olhos dos entardecer, envoltos pela penumbra das coisas viventes sem cor, sem gesto, sem fantasia de ser. O cheiro, o óculos, o espelho, o romance antigo encapam as paixões impossíveis, enquanto apontam minhas insônias frágeis, por falta de carícias herdadas de solicitude. Busco o prazer dos lugares, pousado nos objetos com donos cortados por vidros, por vezes entre lentes de gentes fadadas, fanadas, embaraçadas de olhos doentes, identifico, cheios de bem querer. De outros assim, de desejos, pouco sei, minha vida é de busca diária, limitada no retrato empoeirado que persiste em se perder. Até o momento que se julga exato muito sem tem a aprender, ainda não sei o tamanho do caminho que tenho que a percorrer para plantar minha semente de árvore, cada vez mais exausta, das dores que perpassa para nascer. Prefiro o mundo desmundo, os cheiros apegados, o carinho a devaneio procura da essência de se ter. Sangro pela incerteza das horas enlaçadas nos momentos sem intimidade, até agora sem rumo. Percebo que me ofereço em perigos; sou quieta como se cai à folha dos galhos, sou violeta nas tardes sem cor, sou a demora do pôr-do-sol esquecida entre olhares, sou as paginas de um livro sem leitura, estas gastas de falta de cuidado, de choro, de vontade de se continuar. Já refleti os cacos do tempo, já pensei nos achados guardados, disfarçados de remendos e nada é suficiente para se viver; já banquei a boazinha pra agradar o desagrado, já bebi chá para me fortalecer, já tive uma vida frágil regado pelas gotas de toque de meu bem querer. Temo o descontrole, os limites do insucesso, o absoluto inexistente, o sangue coagulado sem mais nada pra fazer. Recebo elogios em troca de sorrisos, vejo meus braços sendo afagos num abraço, tudo impecável como deve ser. Existo mais assim, não pela falta, mas pela presença. Desde então, ando me conhecendo, me afagando, me aceitando e nem sei bem porque, por quê?
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Ah! Não sou tão morena e gordinha como dizem sem me ver, ando me costurando nos lugares que me gastam sem doer; tenho, como quem vive, esperado o outro lado do meu lado do porta retrato empoeirado. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sonhos meus, sonhos nossos, sonhos...








Que venham aqueles nocivos, ainda meio indecisos, mas vestidos de dores e alegrias. Que venham como a calmaria da espera, como quiserem, despidos de tristezas, mas que sejam delicados de urgências. Que venham sonhos doces, inocentes, cheios de inexistência. Componham meu vazio, as frases ainda por dizerem, as musicas ainda em falta... Que venham soltos de graça, livre de raça, eufóricos de sedução e desprazer, sem apego ao meu eu ao nosso ser, à paisagem que ilumina sem se perder. Que venham vivos, inteiros, sem perdas dos já mortos que foram sonhados antes mesmo de se permitirem ser.
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Enterro aqueles que ainda não sonhei...  

sábado, 8 de setembro de 2012

Um ser forte



Achava-me numa tarde mansa sentada na cadeira e com vento, contemplando as nuvens e a pobreza de imaginação, a meditar, enquanto encarava o voo das borboletas, livres, sobre o estranho movimento de existência e devaneios que habitava diante de mim, quando senti o toque humano... Virei-me e deparei-me com um ser sem presença. Não nos falamos. Passaram-se alguns instantes, de modo que me enchi de medo daquele encontro indesejado. As mãos suaram cordialmente. Seríamos amigos? Gostei dele pelo perfume, imensamente. Era tão sensível seu tocar, tão comunicativo ao olhar do vento, tão simples em movimento. Compreendo que somos sujeitos de mundos, se não falasse a verdade entenderia, mas acho que, na realidade, gostava da minha fraqueza na certeza de alguma coisa. Mudei, por isso. Comecei a ficar inquieto perturbado... Senti aquele mundo moderno, pois o vento, o toque, o perfume voava com aquela borboleta, me fazendo acreditar na dúvida e perguntar se ainda é possível. A fortaleza está na busca das respostas.

domingo, 2 de setembro de 2012

Cartas d’amor ao amante



Meu querido,

Ontem, na casa vossa, quando passei, levando comigo o sorriso nosso, estava sentado, conversando com alguém, não gostei, sem apresentações. Por debaixo do retrato perto da escrivaninha, um homem alto, moreno claro, sorriso de lado, que me seduziu logo, talvez por me impressionar de cara limpa, apesar de tão espalhafatoso no sofá, uma graça de jogador, grave rápida e envolvente de um deus, não do Olímpio, mas desse Mundo. Bem diferente dos homens comuns, que se acham uma raça esplêndida tesuda e carnuda! Ah!

Quem era? Seu amigo? Suponho que um daqueles velhos amigos de tempos remotos já se sabe. Ele parece galã de cinema, de algum castelo em silêncio solteiro em busca da mulher encontrada: EU! Claro, porque não me lembro de Ter encontrado outra mulher de cabelos e cabeça tão fabulosos ao raiar o brilho dos olhos no sol, de janeiro a janeiro, até dezembro acabar – nem de colo tão provocativo, angélico como lírio e de coração tão à espera de um gentleman. Admirei-o com aquele fervor adolescente, onde reina todo aquele escândalo juvenil. O tórax era perfeito, os ombros largos, braços de abraço; e o olhar, quando baixava parecia pedir para ir lá. Deu-me a impressão de me querer ali do começo meio e fim, se é que finda. Dirá meu padrinho: “Como pode detalhar uma pessoa ao passar vista por um porta-retrato?”. É que voltei à vista e fiquei a observar cada movimento em silêncio.

Por que não pedi uma breve (longa!) apresentação? Talvez porque não fosse o momento, talvez porque quisesse mais, talvez o recinto não pedisse. Sabe o que dava tanta sedução nos tempos de menina? Sabe! Não ter os lugares do seu pensamento... Pois era a imensidade de coisas, pessoas e falta de emoção, é, talvez. O fato é que depois da troca de olhares meus, voltei a minha vida solteira à sua espera. Não há senão uma mulher, entre todas, que mais fino se tenha um desejo por homem, que este não se deixe possuir para eterna perturbação do mundo. Talvez, se eu tivesse realmente necessitada, dessa espera de gozo masculino, me propusesse tal apresentação. É com estes elementos alegres, que vivemos mais, entretanto temos que restaurar nosso império de grito feminino. Daquela mulher humilde e devota, procurando alguém...

domingo, 26 de agosto de 2012

Quando tudo está escrito...



Acredito que essa conspiração do universo não é por acaso, não pode ser por acaso. A cada momento vivido percebo detalhes das respostas que procuro nesta vida inquieta. Parece bobagem, parece até loucura, mas tem uma parte da vivencia que busca lugares, momentos, pessoas que me faltam na existência e nem sei por que, só sei que faltam... tenho fascínio por coisas que não me são familiares, mas me encontro e me apaixono, às vezes dói não poder tê-las de imediato. E paciência deveria ser minha marca oriental, mas nasci em outro solo e talvez por isso aprendesse outras coisas... por quê? Busco soluções, e nem sou matemática, e queria ser escritora, sabendo que a logicidade dos fatos não existem senão por meios dos que os acham que sabem. Acredito no noutro mundo, do outro lado do mundo, do mundo que é meu. E sei que falta pouco para as coisas voltarem ao seu percurso, sei que o momento certo se aproxima, não sei por que, nem pra que, afinalidade está num final incerto que procuro a cada sorriso que venho dando, porventura sem graça. Minha historia está grafada no universo, percebo algumas coisas, outras deixo passar, estou tentando ler os ventos e cada sopro é um respirar mais aliviado... vou conseguir, sei que vou, não sei quando, nem a hora, nem o lugar, nem isso e nem aquilo, só sei...

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Ando acreditando em mim, ando acreditando...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

... isto é amizade.


Desejada assim de graça e nem sei por quê. Acho que posso dizer que ainda é amizade, sim? Mesmo que tenhamos nos perdido nesses olhares rasgados entre seu perder-se e eu tentar te encontrar. Um perder-se ainda sem rumo, sem saber se vale a pena, já que alma é tão pequena... É amizade porque eu te guardo do lado esquerdo do peito com uma lembrança sadia de grato sorriso de boas-vindas, da descoberta de uma escrita desconhecida pra alguns e da falta de termos nos encontrados em outros momentos. É amizade, porque brincamos no primeiro momento, sorrimos sem pressa, olhamo-nos, ajudamo-nos, mas não viajamos, apertamos as mãos e achamos pouco e nos abraçamos de alma, de livros, de devaneios, de poesia por sua parte de prosa pela minha. Não fique triste, mas meu florescimento é amigo. Aprendi a separar os sentimentos ainda quando criança e hoje, quando vejo você, seu sorriso, sinto seu abraço percebo que estamos no caminho certo... E a amizade só pode ser esta falta um do outro de saudade, querer que ele se sinta bem entre afagos, mesmo que você já não esteja entre suas prioridades. Mesmo que tudo isto seja um adeus para todo sempre ou um abraço em plenitude de um para sempre, se é que existe em vida...

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Continue me amando entre nossa amizade.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia 12 de junho de 2012



O dia dos namorados? E quando não tinha? Na falta do celular? Da noite longa e escura na casinha da vovó? Lembro-me das fogueiras entre rodas de ciranda! Do sorriso guardado entre os parentes vindo de um lado e outro dos arredores. Que tempo foi aquele... Eu era tudo e nada, mas achava que era-sendo. Minhas fantasias em volta da fogueira acesa, com vagalumes iluminando os olhos, os sapinhos chatinhos do meu medo, as muriçocas picando meus bracinhos... Cadê a poeirinha mágica que me tornava fada? O momento parecia pra sempre. E ficou gravada na memória de minhas boas lembranças, do tempo de menina, de minhas meninices. Só queria apenas alguns segundos e reviver tudo que o tempo me “roubou”. Que os costumes, por mais simples que sejam não se percam em lembranças... Guardo as labaredas, a fumaça, o corre-corre em volta da fogueira minha e todos que acreditam nela!

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Vivo me recriando entre os costumes, lembrados!

domingo, 20 de maio de 2012

A partida de antes.



Antes de você dizer não novamente, antes da partida pra sempre, tenho algo a lhe dizer, coisas bobas pra você que nunca me disse sim, costumeiramente. Sabe, as coisas são engraçadas e dentre elas você é minha gargalhada até de dor. Certos ditos por ventura são: calados para vivermos melhor entre nós e os outros nós. Essa sua falta de pouco tempo, sei que sentimos aquela ausência um do outro, tem provado a dimensão da distância que temos não que eu não acreditasse que tivesse, mas não queria acreditar que existisse, mas é que pensei que tínhamos algo mais fundo, algo que seria só nosso, entendo o que quero dizer? Sonhava com algo que ia além de nossos momentos velados, desse mundo que existe apenas em corpos, você em mim, e a busca das reticências sem fim... Tinha razão de me ignorar, ainda sou aquela menina boba romântica de sempre que conheceu com um olhar, não sabe que a meia-noite nosso mundo é mundo, se soubesse não me deixaria, é claro, ficaria. Por favor, não ria da dor da solidão provocada em mim por você que vive pelo inventário do tempo sem tempo a todo tempo, será mesmo necessário toda essa falta de tempo? Você vive em mim de modo ingênuo completamente inocente, mas assim suspeito... Agora escuta: eu queria poder falar de tudo, de coisas vivas, de noites possíveis e até de tardes e manhãs impossíveis, não queria saber qual a cor do arco-íris, mas queria você pintado por inteiro pra mim, pra nós, porque precisamos do corpus. Também diria que essa seria a última vez que iria atrás de você, das coisas ainda não ditas, porque pouco me importa. Depois de tudo me pergunto até que ponto era você comigo, aquilo que você fingia ser e tudo me fascinava, e sabe o que é pior ainda me fascina, talvez porque o mundo era meu e não nosso, entende a vida? Adeus-dói-acabou, consegue compreender? Estou detalhando pra não ficarem perguntas no ar como o vento vivido e apaixonado que iludimos... Existindo, percebi que você não passou da descoberta de coisas que eu esperava, mas que você não saberia me proporcionar, e por isso, gosto de você e vou continuar gostando, porque não se deixa de gostar, apenas tranquilizamos ou ocupamos os corações e os sentidos... ... ... ... E continuo a escrever neste mundo cansado resfriado de falta nossa, depois, olho a despedida, percebo sua falta de tempo, esqueço, finjo, e continuo com as malas prontas não para te dar adeus como das outras vezes, mas para continuar com você, mesmo em silêncio, concentrando meu olhar no teu olhar e antes que as estrelas pisquem dizer tudo o que eu tinha pra dizer que não deu tempo dizer por que seu cheiro, seu suor, seu ser são mais do que meu querer ir embora.

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A ainda continuo aqui, partindo...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Meus amigos palhaços


Que alegria imensa vivi em uma semana de quase uma vida, que imensidão de bons sentimentos na oficina de rua, ontem à noite, no espetáculo final sorri, chorei de felicidade... Amei até o ENTALA! Acho que já disse isso a vocês – se já, repito assim mesmo, se não, lá vai: tenho uma estranha empatia com o trabalho de vocês. Vejo como se eu mesma estive (naquele momento divino de “inspiração”) ou, pelo menos, com o desejo de querer participar da atração. (Quanto talento em tão pequenas pessoas...) Mas o riso fácil não é pra todos. Ainda continuo embalada pelo fazer artístico tão pregado no corpo, na voz, nos arquétipos... Ô, queridos, quero morar perto de vocês e aprender os trejeitos teatrais. Em circulação direta! Conheci vocês por um vídeo, lindo por sinal. Eu tô aqui escrevendo e já com uma saudade de abril do passado. Já pensei várias maneiras de acompanhar o trabalho dos amigos palhaços. Tarefa árdua! O lado gostoso, além de revê-los, é tornar-me criança de olhos brincantes prestigiando... Disseram-me ontem que vocês são gênios da novela ao vivo. Hoje (já comi algumas bolachas), digo que vocês é o riso em forma de prosa e poesia ao vivo. Fico aqui, na terrinha, a espera de um milagre de retorno dos artistas. Estou feliz. Acho vocês geniais, clichê? Desculpas. Medonhos? Ah! Palhaços! (risos). No mais só algumas quadras emocionais de distancia e saudade, mas vou sobreviver. Obrigada pelos ensinamentos de aprender brincando. Aguardo na memória fotográfica cada momento, e sinto muita saudade. Mandem notícias qualquer hora, ou de fantasia de repente! Com carinho, ou aos modos do teatro, muita merda pra vocês, pra nós!

Um sorriso de futura palhaça.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Adoro-te, você sabe!



Sabe que me apaixono pela sua poesia, vindo de sorrisos abraços e um tempo inteiro de gostaria... Ao cair da tarde imagino nossas fotos ainda não tiradas com aquela sua câmera gigante! Sabe que estou acompanhada e vivo com o pensamento ocupado. Quando estou com você é outro mundo, aquele dos beijos dados pela epiderme. E olhe não me entenda mal, só sei cumprimentar os amigos com meu sorriso e abraço, beijo roubado sem intenção não me atrai... Não te falei, mas tenho meu lado calado reservado tímido de viver, mesmo que não aparente! Gostaria de poder corresponder. Entrar em sintonia com você. Sabe que eu vou viver gostando de você. Meu Romeu, eu sua Julieta, apenas de um romance.

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Não sabe a saudade que provoca em mim. Se soubesse não retiraria as reticências...

domingo, 25 de março de 2012

Sei que você sabe...



Nunca mais tínhamos nos separado. Sabe que gosto de você! Que primeiro me apaixonei por sua poesia programada e depois embalsada no colo sem frio... Sabe que fico triste quando cai à tarde e espero seu sorriso, mesmo que chuviscado. Escrevo poemas de amor em prosa, digitadas, mas de amor. Preciso de companhia, meus pensamentos estão distantes... Ah! Adoro quando você fala com aquela voz de menino-criança, me conquista com a graça o braço o beijo na boca e o charme, só seu. Sou convencional do meu jeito, sabes, que todo astral do meu-eu gira o mundo de nossa sintonia. Dormir e acordar e te procurar é remédio que desatina sem doer. Sabe que eu gostaria: voar com você o sonho do amor, ainda não eterno... Não esquece: estou plantando nossa árvore para construir a casinha. Chega logo, se alimenta de litros de amor entre o meu peito e o seu de romance.

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Você sabe que é minha alegria, fiquemo-nos.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O tempo querido nosso de todo dia.

Eu vejo o mundo de outras cores agora: o céu fechado nublado de única cor, vejo a vizinha fechando as portas de chuvisco, com o mesmo gostar de admirar as gotas caindo no chão. Eu, talvez, quando disse que queria chuva, quisesse para tomar aquele banho inocente de fantasias molhadas... E você, contudo, não saberia dizer qual sonho molhado desejaria ter depois de um frio. Sinto a falta dos braços, dos olhares quentes, do inverno de compromisso, de uma árvore, você eu e a chuva, que também deveria ter nossos sonhos.

Eu clico e guardo com o olhar, as cores fechadas não são suficientes para descrever os momentos, mas o que tenho no tempo desejado. Embora eu seja seduzida por uma ocasião... Não posso apenas querer tomar banho de tempo fechado e piscar e clicar. Acho amor em tudo, até mesmo naquelas moradas de andorinhas sem tempo fechado, de uma delicadeza natural.

Mas vamos acreditar que um dia eu poderei parar o tempo, congelar o momento, clicar pra você e assegurar pra nós o retrato de espera de tempo fechado. Eu ainda serei aquela moça dos pequenos detalhes guardados na sua memória e perdida entre os cliques de espera de você.

Ah! Só um detalhe, acredite em você e no tempo vindouro!

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O tempo continua nublado, esperado... Abro a janela, vejo o tempo fechado, vejo sua demora, a vizinha de porta trancada, as andorinhas na casinha de amor, a água que corre sem destino... Meus segredos são seus agora.

Só quero uma coisa desse tempo fechado nublado de espera de você: que meus cliques não sejam em vão, que o filme de nossa memória possa ser revelado entre os corações, que minhas inquietudes das tardes de frio sejam aquecidas entre lençóis um papo e um amor.

... Perdoa se estou te ligando nesse momento, sinto sua falta de novo, sei que você me queria perto pra te aquecer, mas o tempo não deixou sair de casa... Cliquei o mundo e esqueci-me do nosso amor, esqueci que o tempo tinha passado, e o vento começava a soprar sua chegada...

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Vivo te esperando, pena que chove tanto!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Carta.


Limoeiro do Norte, 22 de outubro de 2011.

Querido Francimar, meu vulgo Mazinho,

escrevo “meu” porque – você até sabe – adoro sua pessoa e muito temos amigavelmente namorado entre Facebook. Não se esqueça do adoro!

Estou em casa tentando escrever essa humilde carta, de onde te enviarei em breve pelos correios com todo meu amor amigo (de risos soltos e carinho). Acho que ganhará uma surpresa também.

Ando meio chateada, sabe? Tenho vivido um pouco no mundo do “eu” – um modo de me proteger contra as tempestades entre pessoas que sorrir sem sorrir! Ah! É tudo um saco (gostou?). Tenho levemente surtado dentro do meu mundo, levado choques chatos... Oh, meu Deus! Espero não mudar entre os amigos e ser eu nesse e no outro mundo.

Entre os desencontros entre “amigos” tenho encontrado alguns outros tão românticos que realmente me fazem acreditar na humidade, melhor que isso: saber que tenho amigos! Vou acabar me declarando: Te-gosto-muito!!! Bom, meu ser pensa.

Ô meu Mazinho amigo, vamos ser humilde! Mas esse seu jeito excêntrico de bem-me-quer-mal-me-quer nos deixa encantados em risos. As pessoas precisam saber que existem seres que não pertencem a esse momento de mundo, que precisam ser lidos na pós-contemporaneidade, acho que você é uma.

Por nada, “amigo são pra essas coisas”! (risos). Dizer o que não se quer dizer por que quer dizer por que na verdade já disse! É mais ou menos assim. E divido com você esse meu bom humor do bem e do mal, por ventura. Mas deixo as coisas claras: devemos ser nós mesmos nos instantes de intervalo entre os altos e baixos, tudo bem?

Sabe praticamente meia-noite, uma lua de luau cearense. Escrevo coisas assim difusas. Mazinho, o amor entre os homens do nosso século é ridículo! Eu não tenho anticorpos para tais defesas tão desgastantes. Bom, tenho tentado sorrir mais, gargalhar se preciso mesmo baixinho com lua. Não gosto dessa solidão de falta de sorrisos e abraços é muita humilhação! Ando conquistando alguns braços felizes de bel-prazer de laços. Acho que estou ficando velha, na verdade sou velha demais para essa solidão.

Queria te recitar versos, aqueles tais versos entre amigos. Precisamos – eu você nós e o mundo de todos nós – criar o hábito de apreciar as pessoas e dizer que são importantes. O eu te amo, não só entre amores de coxas, pode ser declamado entre amigos de braços. São tempos estranhos os nossos. Tudo é muito meio tristemente ridicularizado banalizado, cuspido jogado!

Deve ser a carta mais chata que já leu. É o mal do nosso século, nada presta! Bom, meu te amo amigo... é! Sou um tanto louca por pequenos detalhes tolos que fazem o mundo viver respirando, ainda bons momentos. E quando o mundo fica feio, compro chocolate, coloco aquela música fina não tão clássica e nem tão metal, mas alimenta esse meu outro lado. Não chega a ser brega...

Tenho vivido muito tensa e intensa entre as amizades terrestres, isso é muito poderoso gostoso saboroso. Tenho tentado me acostumar com o “tudo bem” sem está bem. Digo que tenho me divertido também. Não sei viver em mentiras e muito menos alimentá-las. Estou dosando as omissões.

São essas coisas de eu te amo amizade que temos que nos findar falando, meu Mazinho – amizade de compartilhamento entende? Ah! Vamos nos marcas em viagens, cinemas, literaturas, músicas... tudo que alimenta a vida e nos move. Nos gastar entre os sorrisos e abraços de exaustiva amizade. Um dia cruzaremos no acaso entre sonhos futuros, espero!

Continuo a ler nossa influência: Caio Fernando Abreu. E quero seu livro emprestado, viu? (risos). Ah! Desculpas qualquer coisa nestes instantes perdidos escritos. Estou lendo coisas que me façam sentir...

Abraço e carinho em seu ser de tempo futuro. Uma graça poder lhe escrever. Depois nos agarramos amigo! Se cuida!

Com ternura de prosas entre rede de compartilhamento,

Lailsa Li.

PS: Vou ali enfrentar a fila dos correios de olhares...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Os dias de colcha fria...


Queria poder te abraçar agora nessa casa de frio que explode em meu coração e pede um afago disfarçado de carinho de amor de quem dela habita entre o amar. Queria poder dizer o que sinto pessoalmente sobre nosso amor pintado nos lugares de afeição. Queria poder ver seus olhos de sorriso molhados de alegria sobre a tatuagem fotografada de cliques guardados. Queria e deveria esquentar o leito do meu coração gelado de saudade de você, adormecido em poesia, mesmo que melancólica... Queria poder gritar ao vento o apego de um casal amante de amor! Queria poder dizer pra ele que mesmo no frio a menina desenha sorrisos de vontade... Queria poder escrever uma cartinha dizendo que sou seu pombo correio e preciso de um afago... Fácil fácil. Queria poder te mostrar nas entrelinhas o tamanho da minha saudade que venta pelo frio da noite que cai solitária sem você. Queria poder dizendo que preciso do calor de seus lábios molhados conselheiros de prazer. Queria poder descrever as pausas de um beijo roubado, nosso. Queria poder ter toda folha do mundo pra chegar até você com minha escrita de vida dizendo EU TE AMO! Ah! Queria que o sonho da escrita fosse o real e não apenas meus devaneios surreais. Vem, volta pro meu gelo escrito e acalenta essa distância de corações...

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Deixa tudo pulsante de calor entre eu você e nossa colcha de dias...