domingo, 17 de novembro de 2013

Faltas


Procuro nos outros a falta dos meus. Ando inquieta, chorosa, pensativa, falta de paz. Sofro pelas distâncias, tão normais. A saudade afogada na falta de abraços. É pedir muito por um? Como é difícil compreender e ser compreendida. Ás vezes penso que as pessoas são automáticas e amam e abraçam e brincam com os de sempre sem ser pra sempre. Hipóteses de dias... Ser sensível, ser romântica, ser. Temo ser um desgosto aos meus outros. Esperam de mim o que me falta. Desejam o que não suporto e entrego-me as faltas. Os vazios derramados em lágrimas já ferem meus sorrisos, meus abraços, meus carinhos ternos.
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Ando desalmada de amor e carinho. 

domingo, 16 de junho de 2013

Carta de Lee para vida.




Sinto saudades, infância. 24 anos se foram e ainda lembro-me daquele tempo com tempo de sobra de tudo.  Anos 90. Recordo-me de quase tudo – das árvores da casa de vovó, dos cheiros de café e pão, das brincadeiras com anel, dos passeios de parque com mamãe, e ver o mundo em uma vida – que me parecia Peter Pan sem rumo, só vida. Não sabia que crescer doía tanto. Ando aprendendo essa dor de ser eu para sentir-se, sem cobrança, mas sem ter o tempo de um espaço para abraço e o querer dizer “não sei se suportarei todo esse crescer”. O sofrer e o crescer caminham lado a lado um dia de cada vez. Quando me lembro dos banhos de chuva de menina, ainda sem seios, percebi que o mundo poderia ser aquilo... Esse instante ficou na memória dos meus duendes – e vai ficar em sonho pra sempre. Ainda mais incompreendido foi o crescer pra quê? Uma inquietação silenciosa pra quem procura viver. Eu bem sei que o tempo não para. Que esse doer é compartilhando entre tantos, calados. Esta dor que é multifacetada. Juntos, penso, podemos incorporá-la, esticar seus limites. Este momento que escrevo, não sei por que, tornou-se cada vez mais presente entre outros. Pensem em sofrer com a dor. Atuem nela. Vivam esses dias de luta. Vida vive-se todos os dias. Ela costuma sussurrar: “Os problemas existem para serem solucionados”. Lembre-se, estamos no mesmo barco, se virar se equilibre e reme. Viver é um risco de todos os dias desse sofrer.
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Vida, eu te amo. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Voos



Já não consigo olhar para trás sem projetar o futuro.  Tudo mudou, aconteceu no meu piscar. Os desejos são outros, apontam em direções. Mas algo, em mim, continua em busca: felicidade de todos. Não fujo das obrigações que talvez nem sejam minhas, mas ando suportando, às vezes nem aparece real, o que importa é não fugir é viver as emergências. Voos angustiados. Entretanto, consigo fingir bem, com choro apenas na alma, nada mais. Ando respirando fora do sentir, do tempo de outrora que insiste no devir. A chuva que falta, o vento que não voa e o frio que fica sem querer. Meus voos parecem cansados de tanta poeira ao redor, preciso mirar o ponto da chegada com toda vontade que ultrapassa ser.
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Enxergo mais do que posso suportar ver?