domingo, 16 de junho de 2013

Carta de Lee para vida.




Sinto saudades, infância. 24 anos se foram e ainda lembro-me daquele tempo com tempo de sobra de tudo.  Anos 90. Recordo-me de quase tudo – das árvores da casa de vovó, dos cheiros de café e pão, das brincadeiras com anel, dos passeios de parque com mamãe, e ver o mundo em uma vida – que me parecia Peter Pan sem rumo, só vida. Não sabia que crescer doía tanto. Ando aprendendo essa dor de ser eu para sentir-se, sem cobrança, mas sem ter o tempo de um espaço para abraço e o querer dizer “não sei se suportarei todo esse crescer”. O sofrer e o crescer caminham lado a lado um dia de cada vez. Quando me lembro dos banhos de chuva de menina, ainda sem seios, percebi que o mundo poderia ser aquilo... Esse instante ficou na memória dos meus duendes – e vai ficar em sonho pra sempre. Ainda mais incompreendido foi o crescer pra quê? Uma inquietação silenciosa pra quem procura viver. Eu bem sei que o tempo não para. Que esse doer é compartilhando entre tantos, calados. Esta dor que é multifacetada. Juntos, penso, podemos incorporá-la, esticar seus limites. Este momento que escrevo, não sei por que, tornou-se cada vez mais presente entre outros. Pensem em sofrer com a dor. Atuem nela. Vivam esses dias de luta. Vida vive-se todos os dias. Ela costuma sussurrar: “Os problemas existem para serem solucionados”. Lembre-se, estamos no mesmo barco, se virar se equilibre e reme. Viver é um risco de todos os dias desse sofrer.
.

Vida, eu te amo. 

0 comentários:

Postar um comentário